Bate e Volta de Sampa – Paranapiacaba, a Vila Inglesa de Santo André

Esse mês o nosso Bate e Volta de Sampa foi para Paranapiacaba e foi muito legal!! Mas antes de falar de Paranapiacaba, você já conferiu as outras dicas de cidades para visitar pertinho de São Paulo? Já fomos para Embu das Artes, São Roque e Guararema.

Bate e Volta de Sampa, Paranapiacaba

Paranapiacaba fica a 62 km da capital São Paulo, é uma vila da cidade de Santo André e o trajeto leva aproximadamente 1h30 de carro ou de trem com o Expresso Turístico Paranapiacaba. Nós fomos de trem, e foi bem legal!

O nome Paranapiacaba significa “Lugar de onde se vê o mar”, pois fica bem no limite do planalto, onde a Serra do Mar começa.

A vila de Paranapiacaba foi tombada como patrimônio histórico pelas esferas nacional, estadual e municipal (CONDEPHAAT em 1987, IPHAN em 2000 e COMDEPHASA em 2003). Hoje passa por um processo de restauração, conduzido pelo IPHAN com verba do PAC Cidades Históricas, e está na lista de espera da Unesco para se tornar patrimônio mundial.

Tivemos sorte de conseguir lugar no trem Expresso Turístico, pois no sábado começou o Festival de Inverno de Paranapiacaba, com muita gente procurando a programação cultural da cidade. O bom é que por isso teve muita música e comida na vila.

O que fazer em Paranapiacaba

A vila é pequena e os atrativos e restaurantes ficam bem próximos uns dos outros. Então conseguimos fazer tudo a pé, mas para quem tem alguma dificuldade de locomoção fica complicado, pela falta de acessibilidade.

A paisagem é muito bonita, com casas antigas de estilo inglês e português. Pode estar o sol que for, lá por volta das 3 da tarde parece que sempre chega uma nevoa densa, que lembra muito Londres.

Quando a nevoa chegou, conseguíamos ver apenas alguns metros a nossa frente, mas as fotos ficaram muito legais.

A Vila de Paranapiacaba é dividida em parte baixa, que foi colonizada pelos ingleses, e parte alta, colonizada pelos portugueses.

Aproveitamos o passeio para observar a diferença entre as arquiteturas e algumas características muito presentes na vila, como os postes feitos com reaproveitamento de trilhos, cercas com reaproveitamento das cabos de aço e a cor das casas, que eram pintadas com as sobras das tintas que eram utilizadas para pintar os trens.

Atrativos na Parte Baixa, de origem inglesa

Museu Castelo

O Museu Castelo é uma casa de 1897, onde morava o engenheiro chefe da SPR (São Paulo Railway Co.), empresa que construiu a ferrovia. A casa fica no alto de um morro onde é possível ver toda a vila.

Hoje é um museu com exposição permanente, tem alguns móveis e objetos que ajudam a contar a história da ferrovia e da vila. Aqui tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre Paranapiacaba. Vale a pena visitar logo que chega na vila para entender melhor o que irá ver depois caminhando.

As visitas são monitoradas e acontecem a cada 30 min, com dois grupos de 25 pessoas cada. Tem uma fila considerável aos finais de semana e não tem um controle, como por exemplo ingresso/senha com horário. Esperamos no lado de fora em uns bancos e os monitores foram controlando os grupos. Meio confuso, principalmente se estiver cheio.

Endereço: Caminho do Mens, s/nº.
Horário: Sábado, Domingo e Feriados das 9h às 16h, a cada 30 min.
Entrada: R$ 3,00.

Antigo Mercado

O Antigo Mercado, de 1899, é um galpão grande onde os ferroviários faziam suas compras de secos e molhados, era um empório. Hoje é utilizado como espaço multicultural.

Quando visitamos estava acontecendo uma feira de produtos gastronômicos de cambuci, uma fruta tipica da região. Tinha sorvete, bolo, cachaça, licor, geleia e etc.

Endereço: Rua Campos Sales, s/nº.
Horário: Sábado, Domingo e Feriados das 9h às 17h.
Entrada: Gratuita.

Casa Fox (Casa da Memória)

A Casa Fox é uma das casas onde os chefes de estação da ferrovia residiam. As casas eram geminadas e foram construídas no final do século XIX. O nome é uma homenagem ao engenheiro Daniel Mackinson Fox, que foi engenheiro chefe e superintendente da São Paulo Railway (SPR).

Hoje é um museu aberto a visitação que mostra um pouco da memória individual e coletiva desses operários.

Endereço: Rua Fox, s/nº.
Horário: Sábado, Domingo e Feriados das 9h às 17h.
Entrada: Gratuita.

Clube União Lyra Serrano

O Clube União Lyra Serrano foi fundado em 1936 para o lazer dos moradores da Vila de Paranapiacaba. Tem dois pisos, mas como o piso superior estava fechado, vistamos apenas o térreo. Encontramos um salão com palco, antigo e muito bonito, deu até para imaginar os bailes que devem ter acontecido por ali.

Também tem um café, que nos pareceu muito bom, mas como estava na hora do almoço não provamos.

Endereço: Rua Antônio Olintho, s/nº.
Horário: Sábado, Domingo e Feriados das 9h às 17h.
Entrada: Gratuita.

Museu Ferroviário Funicular

O Museu Ferroviário Funicular mostra como funcionavam os trens que eram tracionados para subir e descer a serra. Nós achamos interessante, pois pudemos ver toda a estrutura fixa que matinha o trem nos trilhos, literalmente, e tracionavam nos trechos ingrimes.

Tem alguns vagões, ferramentas de manutenção e um pouco da história da ferrovia naquela região. E também é muito bonito para fotos, mas pena que quando fomos visitar já tinha muita neblina.

Aqui também tem um passeio de Maria Fumaça que percorre 700 metros e dura 10 minutos, mas estava em manutenção e se previsão para retornar as atividades.

Endereço: Pátio Ferroviário. (Embaixo da ponte que liga a parte alta e baixa da vila)
Horário: Quarta a domingo das 9h às 17h.
Horário Maria Fumaça: Sábado, domingo e feriados das 10h às 16h.
Entrada: R$ 6,00 e passeio de Maria Fumaça R$ 10,00.

Locobrec

A Locobrec faz sucesso com os visitantes. É uma das poucos máquinas que pudemos ter acesso para fotografar bem de pertinho. Ela funcionava como um sistema de freio para os trens na descida da serra.

Está exposta em uma área aberta e as pessoas fazem fila para fotografar. E nós também entramos, né.

Encontramos a banda Oros Boros fazendo um som muito legal. Eles são de Santa Catarina e estavam ali para participar do Festival de Inverno de Paranapiacaba.


Endereço: Esquina das avenidas Schnoor e Fford.
Horário: todos os dias.
Entrada: Gratuita.

Relógio da Estação

Um símbolo de Paranapiacaba é o relógio da estação. Uma torre erguida em 1898 que tem no seu topo um relógio grande da marca Johny Walker Benson, que lembra o famoso Big Ben de Londres.

Ele era a referência dos horários para partida dos trens e dos turnos de entrada e saída dos funcionários da ferrovia. A estação onde ele estava pegou fogo em 1981 e apenas o relógio foi salvo, sendo restaurado em 2003.

Nós não conseguimos ver o relógio da estação mais de perto, pois quando chegamos na ponte já estava com muita neblina. Então, procure ir antes das 15h na ponte para fazer uma bela foto do relógio.

Endereço: R. Rodrigues Quaresma, 57 .
Horário: todos os dias.
Entrada: Gratuita.

Garagem das Locomotivas

A Garagem das Locomotivas foi inaugurada como estação do Expresso Turístico no dia que visitamos Paranapiacaba, no dia 22 de julho.

Quando chegamos de trem na estação, encontramos um banda tocando e a presença de algumas autoridades locais. Até achei que era pra comemorar meu aniversário, que foi dia 15, 😛 .

Procurando por algumas fotos desse lugar, no google, dá pra ter uma boa ideia de como era e como ficou. Tomara que façam essa restauração na vila toda e implantem sistemas de acessibilidade, pois ficaria linda.

Endereço: Avenida Fox, s/n.
Horário: Todos os dias. Aberta somente aos finais de semana, durante embarque e desembarque de passageiros do Expresso Turístico.
Entrada: Gratuita.

Atrativos na Parte Alta

Igreja Senhor Bom Jesus de Paranapiacaba

A Igreja Senhor Bom Jesus de Paranapiacaba fica na parte alta da vila. Para chegar lá, nós atravessamos a passarela metálica, ponte que liga as duas partes da vila, depois subimos um morro, que deixou nossas pernas doendo por dois dias :D, e lá no alta chegamos na igreja amarela que se destaca em meio a paisagem.

Fundada em 1884, é uma igreja católica. Ao seu redor moravam comerciantes e prestadores de serviços para os funcionários da ferrovia. Ao lado fica o cemitério da cidade, que tomado por neblina, estava bem sinistro.

Endereço: Largo da Igreja, s/n.
Horário: Todos os dias.
Entrada: Gratuita.

O que comprar em Paranapiacaba

Em Paranapiacaba o que mais vimos foram produtos a base da fruta cambuci. Tinha cachaça, geleia, bolos e etc.

Tinha também uma feira livre do vinil, instalada por ocasião do Festival de Inverno.

Também vimos muitos artesanatos.

Não encontramos lembrancinhas turísticas da vila, como imã de geladeira, caneca, camisetas e etc, mas tem bastante opções de outros temas.

Onde comer em Paranapiacaba

Como visitamos Paranapiacaba durante o Festival de Inverno, tinham várias barracas e food trucks como opções para comer e beber. Também procuramos restaurantes pela vila e percebemos que a grande maioria são restaurantes com buffet a quilo ou a vontade.

Não encontramos nenhum restaurante de gastronomia mais requintada. O que nos chamou atenção foi o bar da Zilda, que tinha opções de empratados, mas a fila de espera para almoçar estava muito grande então desistimos e fomos na praça de alimentação montada para o festival.

Provamos um hamburguer de salmão, que estava bem gostoso.

E de sobremesa uma tortinha, feita com massa podre e recheada com ricota e frutas cristalizadas.

Confira outras opções aqui.

Onde se hospedar em Paranapiacaba

Acabamos não conhecendo nenhum hotel, achamos que não tinha, mas chegando lá vimos algumas pousadas. Você pode pesquisar as opções no Booking.com.

Quando visitar Paranapiacaba

Você pode visitar o ano todo, mas o melhor mesmo é aos fins de semana, feriados  e durante os eventos. Praticamente todos os meses tem algum evento. Nós fomos conhecer o Festival de Inverno de Paranapiacaba (FIP), que esse ano está da 17ª edição.

Durante o festival, que acontece este ano nos dois últimos finais de semana de julho, vimos vários artistas culturais, cantores e bandas se apresentando em palcos espalhados pela Vila. Foi bem legal caminhar pela vila e sempre estar escutando uma das bandas, que estavam espalhadas em vários pontos.

Como Chegar em Paranapiacaba

Expresso Turístico Paranapiacaba

A maneira mais legal de chegar é com o trem Expresso Turístico Paranapiacaba. Sai de São Paulo, na estação da Luz às 8h30, faz uma parada em Santo André às 9h na estação Prefeito Celso Daniel e depois segue para Paranapiacaba.

Na Luz é bom chegar 30 minutos antes, talvez você se perca um pouquinho até achar a bilheteria e a plataforma, pois falta sinalização para quem vai de carro até a estação.

A bilheteria fica na área interna/inferior (antes das catracas), no saguão que tem a saída para a Pinacoteca. E o embarque é pela plataforma 04 (onde normalmente é operado o Expresso Leste). A plataforma é isolada aos finais de semana e feriados, durante o embarque/desembarque do Expresso Turístico. Qualquer coisa é só perguntar para os funcionários que eles orientam.

Se você for de metro para a estação da Luz, é só procurar pelas placas com indicação para o Expresso Turístico. Mas se você for de carro, como nós, lembre de deixar em um estacionamento 24 horas, pois há estacionamentos que fecham as 17h30 e aí não dá tempo de voltar para pegar o carro antes de fechar. Nós pagamos R$ 15,00 no estacionamento para o dia inteiro.

O trecho percorrido é de 48 km e leva em torno de 1h30, mas nós levamos 2h15 nesse dia, que deve ter sido por causa da cerimônia de inauguração da estação reformada. O prefeito deve ter se atrasado rsrs

Durante o trajeto, há explicações sobre diversos pontos do caminho, como antigas fábricas, estações de trem, etc. É bem interessante.

O trem retorna para São Paulo as 16h30, mas lembre que o embarque começa 30 minutos antes.

É um passeio muito gostoso, nostálgico e com cara de fim de semana. Feito principalmente para curtir com a família ou em casal.

Mas corra para comprar seu bilhete, pois esgotam muito rápido. Provavelmente você terá que comprar com 2 meses de antecedência.

Endereço: Embarque Estação da Luz (São Paulo) ou Estação Prefeito Celso Daniel (Santo André).
Horário: Aos domingos. Estação da Luz ás 8h30 e Estação Pref. Celso Daniel ás 9h00. Confira o calendário oficial da CPTM.
Entrada: R$ 48,00, com descontos para 2 pessoas ou mais. Confira as tarifas aqui. Ainda não é vendido online, precisa ir direto na bilheteria da estação para comprar, pagamento em dinheiro, mas antes confira se tem disponibilidade clicando aqui.

Como chegar de carro

Dá para ir de carro também e chegando lá precisa estacionar na parte alta ou mais afastado das atrações turísticas (durante o festival).

Para quem sai das zonas Sul, Norte e Oeste de São Paulo o caminho é pela Rodovia Anchieta até a Rodovia Índia Tibiriçá ou Rodovia dos Imigrantes, depois Rodoanel, um trecho da Anchieta até a Rodovia Índio Tibiriçá. Depois, seguir a Rod. Índio Tibiriçá até Rio Grande da Serra e pegar a Rod. Dep. Adib Chammas.

Para quem sai da zona Leste de São Paulo, o caminho mais curto é passando por Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

Confira informações no site da prefeitura de Santo André clicando aqui.

#FicaADica sobre Paranapiacaba

# Leve água e lanche para comer no trem, principalmente se estiver indo com crianças, pois às vezes o trem pode levar mais de 1h30 e a fome aperta.

# Às 15h tem muita neblina, então aproveite para ver e fotografar a cidade antes desse horário.

# Leve roupa de frio, principalmente para usar quando a neblina chega.

# Vá com calçados confortáveis, pois você vai andar muito e o caminho é irregular.

Chegue sempre 30 minutos antes do horário que o trem parte. Ele é pontual e não espera.

Salve estas dicas na sua pasta de Bate e Volta de Sampa no Pinterest. É só clicar na imagem abaixo e quando você precisar destas informações vai ficar mais fácil de achar 🙂

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